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Antes da recente partida do Brasil contra a Noruega, pela Copa do Mundo de 2026, surgiu um debate curioso: cristãos deveriam ficar em casa assistindo ao jogo ou ir à igreja, já que a partida caiu em um domingo?

Lendo alguns comentários sobre o assunto, uma ideia não saía da minha cabeça: talvez Jesus fosse assistir ao jogo com a galera.

Não porque tratasse a comunhão da igreja como algo irrelevante. Mas porque, nos Evangelhos, Jesus quase sempre aparece onde a vida está acontecendo: à mesa, nas ruas, nas casas, no meio do povo, entre aqueles que eram vistos como pecadores, impuros ou indignos de atenção religiosa.

Em Marcos 2:27, Jesus diz:
“O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.”

Essa frase não diminui a importância do sagrado. Pelo contrário: ela nos lembra que o sagrado não existe para esmagar a vida, mas para servi-la, curá-la e aproximá-la de Deus.

Processo de estudo e inspiração

⁹ Jesus saiu dali e, no caminho, viu um cobrador de impostos, chamado Mateus, sentado no lugar onde os impostos eram pagos. Jesus lhe disse: — Venha comigo. Mateus se levantou e foi com ele.
¹⁰ Mais tarde, enquanto Jesus estava jantando na casa de Mateus, muitos cobradores de impostos e outras pessoas de má fama chegaram e sentaram-se à mesa com Jesus e os seus discípulos.
¹¹ Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: — Por que é que o mestre de vocês come com os cobradores de impostos e com outras pessoas de má fama?
¹² Jesus ouviu a pergunta e respondeu: — Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes.
¹³ Vão e procurem entender o que quer dizer este trecho das Escrituras Sagradas: "Eu quero que as pessoas sejam bondosas e não que me ofereçam sacrifícios de animais." Porque eu vim para chamar os pecadores e não os bons.

Mateus 9:9-13 | NTLH

Em Mateus 9:9-13, Jesus chama Mateus, um cobrador de impostos, e depois se senta à mesa com ele e com outros considerados “gente de má fama”. Quando os fariseus questionam essa atitude, Jesus responde:

“Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. […] Eu quero que as pessoas sejam bondosas e não que me ofereçam sacrifícios.”

Por isso, quando penso em Jesus diante de um domingo de jogo do Brasil, não consigo imaginá-lo apenas preocupado em defender uma agenda religiosa. Imagino Jesus no meio do povo brasileiro — sofrido, esperançoso, barulhento, contraditório — participando da alegria comum, entrando na casa de alguém, sentando-se à mesa, rindo, ouvindo histórias, acolhendo pessoas.

Afinal, Jesus não parecia interessado em preservar uma aparência religiosa distante da vida. Ele parecia mais interessado em revelar Deus justamente no meio dela.

Belchior cantou: “Deus é brasileiro e anda do meu lado.”

Talvez ele tivesse razão.

Foi a partir dessa provocação que criei este cartaz.

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